LUTA DE CLASSES DA AMÉRICA / postado site Carta Maior 27/7/05
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O MUNDO PELO AVESSO EMIR SADER 27/7/2005 Luta de classes na América Concentração de renda nos EUA intensifica a luta de classes no coração do capitalismo mundial. Segundo a revista britânica The Economist, desde 1979, a renda familiar média dos estadunidenses aumentou 18%, enquanto a renda do 1% mais rico da população subiu 200%. |
| Ao contrário de algumas previsões, os tempos neoliberais não trouxeram o fim da história, mas o aumento da luta de classes.
O “sonho americano” – na verdade, estadunidense – repousa na idéia – ou no sonho – de que todo mundo pode um dia se dar bem. Mas levantamento publicado pela revista conservadora britânica The Economist coloca sérias dúvidas sobre sua realidade e evidencia como as contradições de classe só se avolumam nesse país, confirmando ser o de maior desigualdade social entre os do centro do capitalismo. O dinamismo da sociedade estadunidense se mantém: nos últimos 15 anos a população dos EUA passou de 263 milhões de pessoas para 300 milhões, com o maior crescimento em 40 anos. Dois terços dessa expansão vêm do aumento natural, e o restante da imigração. A taxa de fertilidade nos EUA é maior do que a da China, a do Brasil e a da Coréia do Sul. Todos os países com fertilidade acima da estadunidense são países muito pobres. Mas com a intensificação da exploração dos trabalhadores, tornada possível pelas sistemáticas políticas de “flexibilização laboral” – na realidade, “precarização laboral” –, os estadunidenses detêm o nada invejável recorde de possuir a jornada de trabalho mais extensa do mundo: 300 horas anuais a mais do que os europeus. Trocam constantemente de trabalho – porque perderam o direito à indenização e assim são mandados regularmente embora. Porém, o indício mais claro é o da ainda maior concentração de renda. No último quarto de século, a distância entre os ricos e os pobres se tornou ainda muito maior. Desde 1979, a renda familiar média dos estadunidenses aumentou 18%, enquanto a renda do 1% mais rico da população subiu 200%. Para se compararem as diferenças, veja que, em 1970, os 20% mais pobres recebiam 5,4% da renda e os 20% mais ricos, 40,9%. Vinte e cinco anos depois, os mais pobres dispõem de 4,4%, enquanto os mais ricos elevaram sua parcela para 46,5%. Nesse período, a renda dos 20% mais pobres subiu 6,4%, a dos 20% mais ricos, 70%. O 0,1% de estadunidenses mais ricos ganham duas ou três vezes mais do que os correspondentes na França e na Inglaterra. A preocupação da revista é que “a desigualdade de renda está atingindo níveis nunca vistos desde o final do século XIX”. Maus tempos para os “sonhos americanos”, quando o mercado reina, junto com a desigualdade, e promovem a luta de classes no coração do capitalismo do século XXI. |
Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História". |



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